Intervalos justos/maiores

Guitar man/Varginha
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Mensagem por Guitar man/Varginha » Dom 11 Fev 2007, 01:32

Olá para todos.

Sou estudante de música no conservatório estadual de música em Varginha. Rapaz, quanta gente boa neste fórum. Meus conhecimentos ficaram mais ricos depois de analisar este tópico. São tantas as informações que fiquei até tonto.
Parabéns a todos.

"Junte-se aos bons e serás um deles"

ROSIEL

sensações

Mensagem por ROSIEL » Qui 22 Fev 2007, 11:27

quando estava iniciando o estudo da música, lembro que certos sons me comoviam mais que os outros. Lembro perfeitamente que isso ocorria como a 4J. Ah! esse som era mágico. Numa escala, fazendo um solo, ele tinha algo de encantamento.
Sou novo no fórum, mas primo por uma explicação digamos assim mais "espiritual". Ao invés de matemática da musica, perguntemos: qual a sensação provocada quando tocamos os graus numa determinada escala ou harmonia?
A resposta e de cada um com sua sensibilidade.
Digo isso sem autoridade alguma, sou apenas um leigo no assunto, um eterno aprendiz, que nunca aprende nada...

dioturno
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INTERVALO

Mensagem por dioturno » Sáb 24 Fev 2007, 23:36

HUM!!!!Boa tarde!!!!;
pessoal fiquei de boca aberta, com a formação que tive de engenharia e minhas pesquisas recentes deu para acompanhar o raciocinio bastante lógico e muito inteligente, vou vim mais vezes.

Daniel Camillo

Re: Intervalos justos/maiores

Mensagem por Daniel Camillo » Seg 26 Mar 2007, 13:45

ricardocop escreveu:Olá pessoal,
Alguém poderia me esclarecer por que os intervalos de 4ª, 5ª e 8ª são chamados de justos, enquanto que os de 2ª, 3ª, 6ª e 7ª são chamados de maiores?
Grato.
Ricardo,

Aprendi que são chamados Justos pois ao invertermos um intervalo de 5 por exemplo: C - G e fizermos G - C eles não mudam (invertem) suas características.

Essa característica chamada de "essência" pelo Amauri Andrade Franco quer dizer o seguinte.

O intervalo de terça - C - E é chamado de terça maior, mas ao invertermos E - C ele passa a ser chamado de sexta menor. Veja que de maior ele passa para menor. O mesmo acontece com o intervalo de segunda, C - D é chamado de segunda maior mas ao invertermos ele passa para menor - D - C é intervalo de sétima menor. Veja que mudou a característica de maior passa para menor ou vice-versa.

Podemos analisar também da seguinte forma:
Vamos analisar o intervalo de quarta justa numa tonalidade de F.
Sabemos que nesta tonalidade todo B é bemol.

então, F - Bb é quarta justa e ao invertermos Bb - F ele passa a ser chamado de quinta justa, mas veja que no intervalo F - Bb a nota Bb pertence à tonalidade de F e na inversão Bb - F a nota F também pertence à tonalidade de Bb, então são justos pois pertencem à escala mesmo na inversão.

Analise agora o intervalo de sexta nas mesmas condições:
F - D = sexta maior, sendo que a nota D pertence à tonalidade de F.
na inversão:
D - F = terça menor sendo que a nota F não pertence à tonalidade de D.
Podemos afirmar então que justos são os intervalos que mesmo na inversão continuam a conter as notas da tonalidade.

Outro exemplo:

G - B = intervalo de terça maior sendo que B pertence à tonalidade de G.

Na inversão:
B - G = intervalo de sexta menor sendo que G não pertence à tonalidade de B pois nela o G deveria ser G#. Por esta razão os intervalos de 2, 3, 6 e 7 não podem ser chamados de justos.

André LM
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Mensagem por André LM » Seg 26 Mar 2007, 17:40

Não adianta a gente quebrar muito a cabeça...lembrem-se que em musica existe muita CONVENÇÃO.

Durante a Idade Média a Igreja Católica ajudou a formar boa parte da teoria musical que conhecemos hoje. Nessa época o Canto Gregoriano (imposto como "boa" música naquele tempo) utilizava somente os intervalos de 4ª, 5ª e 8ª, percebidos na prática como intervalos "consonantes" para a época, fora disso ia de encontro ao q a igreja permitia. Uma pessoa podia ser queimada viva por tocar um intervalo de 4ª aumentada (ou 5ª diminuta) o famigerado DIABOLUS IN MUSICA, ui. Salvo algumas excessões utilizadas para fugir desse intervalo do capeta ^^.

Ou seja: são justos por serem "JUSTOS" (integros,exatos,legítimos).
Os nomes e as organizações encontrados na teoria musical nem sempre possuem uma lógica científica, na maioria das vezes são frutos de uma pretensão extra-musical.

Espero ter ajudado...VLW.

felipesantos
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Mensagem por felipesantos » Ter 27 Mar 2007, 02:13

Acho que a criação do nome de justa deve ser pelo motivo que o André falou, mas a manutenção do termo deve ter outro motivo, possivalmente algum dos que já foram postados aqui. Muito interessante essa discussão, uma pena que não posso contribuir muito com ela.

André LM
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Mensagem por André LM » Ter 27 Mar 2007, 19:30

A manutenção foi de ordem impositória (totalitarismo).

A Igreja controlou o rumo da teoria musical "oficial" por quase MIL anos.

Vlw...

André LM
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Mensagem por André LM » Qua 11 Abr 2007, 20:43

A "Escala Pitagórica" era a mais utilizada na Europa nos séculos XIII e XIV, e ainda estava em uso no século XVI. Era a mesma utilizada pelos gregos antigos, absorvida por Roma e depois repassada à cultura cristã por Boécio (romano, filósofo, matemático e estadista;consul e ministro).

Ela é construída através de 5ª(relação 3/2) e 4ª(relação 4/3) "perfeitas". Para Pitágoras o número 3 representava a divindade e o intervalo 3/2 a perfeição musical. Para os gregos as consonâncias se limitavam somente às oitavas, quintas e quartas, os outros intervalos eram dissonantes (exatamente como ficou depois na música cristã).

Ou seja: por isso q é assim ^^!

Marcílio de Sousa Lima

Mensagem por Marcílio de Sousa Lima » Sáb 21 Abr 2007, 23:39

Olá,Renato.
Há razões físicas para esta explicação,mas,para meus alunos iniciantes digo o seguinte:
As únicas notas invariáveis quando mudamos uma escala de maior para menor em todas as suas formas( sem levar em conta os modos),são exatamente a 4ª, a 5ª e a 8ª.

exemplo em dó:

Dó maior: C D E F G A B C
dó menor natural C D Eb F G Ab Bb C
dó menor harmônico C D Eb F G Ab B C
dó menor melódico C D Eb F G A B C

E há uma escala
em que o 2º grau varia
a menor napolitana C Db Eb F G A B C



então só não variarão,ao mudar de uma escala para outra ,com a mesma tônica, os graus 4,5 e 8.

Espero que fiques satisfeito com esta explicação.

Cirov

Re: Intervalos justos/maiores

Mensagem por Cirov » Seg 23 Abr 2007, 16:34

Pergunta pertinente cara...Sobre as escalas...vou pesquisar...

Pippy
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Mensagem por Pippy » Dom 29 Abr 2007, 23:44

Nossa!!!

vcs são luzes em meu caminho!!!

agora não terei mais tantas dificuldades (por enquanto) na Fundação das Artes...


mto obrigado a todos!

cjbranco
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Re: Intervalos justos/maiores

Mensagem por cjbranco » Qui 07 Jun 2007, 21:01

ricardocop escreveu:Olá pessoal,
Alguém poderia me esclarecer por que os intervalos de 4ª, 5ª e 8ª são chamados de justos, enquanto que os de 2ª, 3ª, 6ª e 7ª são chamados de maiores?
Grato.
Meu professor me disse que tem coisas que não dá para explicar. Tem que aceitar. Também tenho esta curiosidade, assim, se alguêm tem uma explicação lógica, estou com o Ricardo.
Gostei e aceitei a explicação do Marcílio, mas como outros colegas foram buscar explicações mais ou menos diferentes, a pergunta é...porque? Uma coisa é certa. Mesmo se não chegarmos a um consenso, já valeu pelo que se parendeu e foi exposto aqui. Eu por mim, aceitei que é convenção e fim de papo. Por curiosidade, continua valendo.

Dorian Gray
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Mensagem por Dorian Gray » Sex 08 Jun 2007, 11:01

No período medieval somente as quartas, quintas e oitavas eram consideradas consonâncias. Por isso a denominação de intervalos justos.

Amadan
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Mensagem por Amadan » Sex 06 Jul 2007, 02:19

É evidente, como aqui foi referido, que os termos consonância e dissonância, são atributos que estão ligados ao prazer sentido ao ouvir esses intervalos.
Á maior parte dos sons musicais não são constituídos somente pela frequência fundamental, eles têm também muitos harmónicos associados, e são esses hamónicos que contêm o segredo da perfeição ou não dos intervalos musicais.

Exemplo: a Quinta Justa ou Perfeita têm a frequência do terceiro harmónico da Nota de referência, numa relação matemática de 3/2.
Tanto quanto me lembro dos tempos de escola, este foi o primeiro intervalo estudado por Pitágoras.
Num instrumento de cordas, o comprimento da corda pisada em Quinta é 2/3 do comprimento da corda em Nota de referência (é só medir)

Na Quarta a relação de frequências é de 4/3. A Quarta pisada tem 3/4 do comprimento da Nota de referência.

A Oitava é de 2/1......

As Quarta, Quintas e Oitavas partilham muitos harmónicos, daí terem sonoridades agradáveis e estáveis ao ouvido, daí a serem inicialmente consideradas de Perfeitas ou Justas .

A palavra Perfeita ou Justa é um termo mantido pelos modernos. Lembrar que os filósofos e matemáticos da antiguidade sempre perseguiram a perfeição

Jorge Zago
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Intervalos Justos e Maiores

Mensagem por Jorge Zago » Qui 19 Jul 2007, 21:31

Pelo que entendi até hoje, os intervalos de 4ª, 5ª e 8ª são chamados de justos e os de 2ª, 3ª, 6ª e 7ª são chamados de maiores por causa de sua intesão harmonica.
Os intervalos de 4ª, 5ª e 8ª quando em sua alteração em intervalos no contexto harmonico, não influencia diretamente na condição harminica.
Os Intervalos de 2ª, 3ª, 6ª e 7ª por sua vez sim, eles influenciam diretamente os caminhamentos harminicos que se seguem, como 3 menor as 7 maiores e assim por diante.
Isso é o que eu entendi sobre este assunto.
Abracos a todos !