UM ESTUDO SOBRE UNHAS 1ª parte

EduardoBernini
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UM ESTUDO SOBRE UNHAS 1ª parte

Mensagem por EduardoBernini » Seg 28 Jan 2008, 17:16

UM ESTUDO SOBRE UNHAS

(material disponível também em http://eduardobernini.spaces.live.com e http://www.maestrobernini.hpg.ig.com.br )

INTRODUÇÃO


- O Paco de Lucia disse, em uma reportagem, que as unhas são a parte mais importante do
corpo do violonista, daí o imenso cuidado que ele tem com elas...
- Para mim, a parte mais importante é o corpo todo. A saúde integral do artista, do ser humano,
vem primeiro. É prioritária a qualquer aspecto técnico do fazer música.

. . .

O inocente e aparentemente corriqueiro diálogo acima foi o ponto crucial que iniciou uma das mais intensas buscas pelo conhecimento e pelo auto-aperfeiçoamento da minha carreira artística. Sempre curioso e atento ao que acontece no universo musical, especialmente na galáxia maravilhosa do violão, era com a excitação dos pioneiros que eu descobria um dos mais promissores avanços da técnica: o uso de unhas artificiais.
Recentemente (c. 1998), assistindo a uma entrevista televisiva do concertista Fabio Zanon, fiquei surpreso com o detalhe – o entrevistador perguntava ao concertista porque suas unhas pareciam diferentes. E o virtuose esclarecia, com a naturalidade dos grandes, que se tratava de unhas artificiais, coladas às unhas naturais, para reforço. E que resultava em melhor projeção de som, mais segurança para o intérprete e menos desgaste durante a longa prática de estudos e peças. Imediatamente adquiri o produto para experimentar a novidade, visto que a curiosidade é uma das minhas principais características. Foi como a descoberta do fogo, senti-me como o primata selvagem do filme do Stanley Kubrick – "2001 – Uma Odisséia no Espaço" – que, após tocar o misterioso monolito, teve um salto quântico evolucional. Que sonoridade! Que segurança aquilo proporcionava! Descobri-me tocando horas sem fim, numa espécie de febre, de desabafo, de ânsia não satisfeita por longos anos e agora finalmente saciada. As unhas finalmente tinham a forma apropriada, o comprimento, a espessura e resistência ideais, enfim, o paraíso dos contos de fada.
Em um ou dois dias, a unha sintética finalmente se soltou. Aparentemente, a única e pequena gota do adesivo instantâneo (sugerida pelo fabricante do produto) poderia ser o suficiente para uma garota atingir o efeito estético desejado, mas definitivamente não era o bastante para a intensa solicitação que um violonista poderia fazer. Com todo o cuidado para que o excesso de cola não atingisse a pele dos dedos, consegui uma perfeita adesão da unha sintética por toda a superfície de minhas unhas naturais. O processo todo acabou por se repetir algumas vezes nos próximos dias. Bastava a unha sintética se soltar para que a nova camada de cola fosse aplicada. Por fim, minhas unhas naturais tinham sido reduzidas a uma fina e quebradiça película. Pensei que o constante descolar da unha sintética provavelmente fosse a causa, e passei a utilizar um produto químico especial disponível no mercado, que dissolvia as unhas artificiais sem arrancá-las das naturais. Agora, a fina película acabou perdendo qualquer rigidez, tornando-se mole como uma folha de gelatina.
O que estaria acontecendo? Onde eu estaria errando? Qual seria a minha falha? O que mais eu poderia fazer? Parei de usar as unhas sintéticas, e resolvi esperar que minhas unhas naturais crescessem novamente. Tudo parecia estar indo bem: as novas unhas ainda tinham a curvatura perfeita das sintéticas, e eram ainda mais espessas e resistentes. Um estranho ponto branco surgiu por debaixo da unha do meu dedo indicador da mão direita. E finalmente compreendi porque as novas unhas estavam mais espessas: era uma hiperqueratose – uma produção excessiva do material componente das unhas, em resposta ao fungo que estava se desenvolvendo sob a unha...
Por sorte, minha esposa é uma excelente médica, e cuidou excepcionalmente bem de minhas
unhas, restaurando a saúde original perdida pela minha "angst" de artista.

. . .
Certo dia, comprei em uma banca de jornal uma revista sobre CDs de música erudita. Um dos artigos falava sobre a gravadora EGTA, com maravilhosos lançamentos que enriqueceriam minha coleção de gravações de violão erudito. Muito entusiasmado, liguei para o número de telefone publicado para pedir um exemplar de cada título diferente. Quem atendeu foi – nada mais, nada menos que – o próprio Everton Gloeden.
Como um violonista com Curso Superior em Música – eu havia me formado Bacharel em Violão aproximadamente uma década antes (1989 – Faculdade de Música Carlos Gomes http://www.fmcg.com.br ) – eu sabia muito bem com quem estava falando, embora não o conhecesse pessoalmente. Minha admiração pelo Everton (e pelo seu irmão Edelton) vinha desde meus anos como estudante de música pré-universitário. Era muito famosa, entre os estudantes de violão erudito que aspiravam à carreira de concertista, a sua gravação da obra integral de Bach para alaúde – mais ou menos o equivalente para os violonistas do que seria o estudo e a gravação integral de "O Cravo Bem Temperado" para os pianistas.
Muito feliz por conhecer alguém a quem admirava há muitos anos, além de adquirir maravilhosas gravações para a minha coleção, passei a ter aulas com uma das personalidades mais cativantes que já encontrei na vida.
Estudei com vários dos melhores professores e artistas disponíveis na cidade de São Paulo – minha cidade natal que nunca deixei por mais de um mês (até o ano 2000) – mas me surpreendi com a assombrosa qualidade dos ensinamentos que recebi do Everton.
Foi com ele que tive o diálogo com o qual iniciei o texto. O que aprendi com ele era tão revolucionário quando comparado à técnica que eu possuía, que tive a necessidade interior de parar tudo o que já tinha feito e humildemente "recomeçar do zero". Foi muito comum para mim, enquanto estudante universitário de música, observar alunos de canto lírico trocarem de professor(a) e reiniciarem os estudos de técnica respiratória e de vocalização do zero, do início absoluto, para corrigirem vícios técnicos e aperfeiçoarem o timbre e sua capacidade de interpretação artística. Portanto, foi muito natural que eu fizesse o mesmo – não porque o professor assim o indicasse, mas porque minha experiência o exigia como atitude coerente de quem busca objetivos com a mais profunda sinceridade de seu coração.
Na primeira aula reparei que o Everton usava um tipo diferente de unha sintética: as chamadas "unhas de porcelana", que são feitas de uma resina especial, moldada a partir de um pó sobre as unhas naturais. Ele explicou que este tipo de unha deveria ser aplicado por uma manicure experiente que renovasse a aplicação a cada quinze dias. Passei então a procurar o produto em lojas de cosméticos e também alguma boa manicure.
Minha esposa, então, como a médica conscienciosa que é e como alguém que realmente se importa, me passou um carinhoso porém determinado "pito". E recomendou que estudasse de novo certos aspectos do meu curso médico (que eu andava negligenciando profundamente durante o processo emocional de negação do conhecimento clínico e científico, face à maravilhosa perspectiva de ter unhas perfeitas).
Uma simples e rápida consulta a um Atlas de Dermatologia de minha biblioteca médica pessoal foi o suficiente para que eu começasse uma campanha contra o uso das unhas sintéticas. Principiei discretamente desaconselhando o uso das unhas sintéticas em um fórum sobre violão erudito na Internet. De fato, elas não foram criadas para o uso constante, e o fabricante recomenda nunca usá-las por mais de 48 horas seguidas. Muitos já haviam testado as unhas sintéticas e chegado às mesmas conclusões. No entanto, muitos jovens estudantes tiveram reações negativas muito intensas, pois se sentiram ameaçados em suas crenças e convicções pessoais, na onipotência própria da juventude.
E eis que o próprio Fabio Zanon, um colaborador constante deste fórum, relatou que usava as unhas há muitos anos, e que desejava saber mais profundamente sobre a razão dos argumentos que eu apresentava.
Como residia, na época, grande parte do ano em Londres, onde era Mestre no King's College – admirado como grande conhecedor e intérprete das obras de Villa-Lobos – Zanon combinou um encontro em sua residência em uma de suas estadas no torrão natal. Durante o encontro, mostrou-se uma pessoa incrivelmente paciente, ouvindo com diligência e muita atenção todos os pontos sobre o assunto, checando-os no Atlas de Dermatologia que levei e fazendo muitas perguntas.
Coincidentemente, o autor do livro é professor na escola de medicina da mesma universidade – King's College – o que muito colaborou para a abertura mental do grande artista que, em suas próprias palavras, não gosta de mudanças.
Poucos dias depois, quando um jovem internauta protestou defendendo o uso das unhas sintéticas, Fabio Zanon publicou uma pequena mas sincera nota, onde afirmava já ter deixado de usar as unhas sintéticas – ao menos em dois dos quatro dedos em que as usava – numa transição para a volta às unhas naturais.
Entretanto, a celeuma continuou. Com a insistência dos jovens aspirantes a artista, ameaçados em seus sonhos e esperanças por um estranho, simplesmente publiquei o pequeno texto do Atlas na íntegra, com as referências bibliográficas. Eis que o moderador do fórum, então estudante do primeiro ano de Odontologia (porém abandonando o curso para seguir a carreira de violonista), interveio com um artigo onde achava interessante o fato de minha contribuição já trazer um lado científico, porém que isso estava se tornando um problema, visto que vários artistas consagrados estavam usando as unhas sintéticas sem jamais levantar queixas quanto ao estado de saúde de suas unhas. A partir de então, limitei-me ao mínimo que minha consciência ditava: sempre que alguém solicitava informações sobre as unhas (que não fossem diretamente relacionadas com a produção de um timbre esteticamente adequado), recebia de minha parte uma recomendação para que consultasse o profissional especializado – um médico dermatologista.

. . .

Um par de semanas atrás (na primeira semana de julho de 2001), voltei a me encontrar pessoalmente com o Everton, que já não usava mais as unhas sintéticas ("unhas de porcelana"), ostentando unhas saudáveis e perfeitas. Num rápido e intenso diálogo, quando pediu orientações para fortalecer as próprias unhas – que, segundo ele, são finas demais – acabou por me convencer a redigir um artigo sério sobre a saúde das unhas, salientando a tremenda carência do meio violonístico. De fato, poucos autores músicos se ocuparam do tema, e sempre apenas sobre técnicas de lixamento e polimento da margem livre que produziria o som em contato com as cordas do instrumento.
Por quatorze dias estudei entre seis e oito horas diárias, findos os quais havia estudado mais de vinte e seis livros médicos e científicos, resultando em aproximadamente quarenta páginas datilografadas apenas com notas pessoais para posterior referência, e algumas gravuras e fotos selecionadas. Há material suficiente para se produzir um livro orientado exclusivamente para violonistas (um projeto já em pauta), sendo virtualmente impossível esgotar o assunto em um único artigo.
Porém, não poderia me apoiar na linguagem técnica tão arduamente conquistada nem nas confortáveis formas pré-estabelecidas que determinam a redação de uma monografia voltada para a comunidade científica. O desafio está em resumir toda a pesquisa em termos que possam ser compreendidos por leigos, resultando em uma nova compreensão dos cuidados e conceitos envolvidos para a preservação da saúde de suas unhas, e finalmente em um comportamento consciente e maduro que garanta as melhores condições para uma carreira longa e sem percalços.
Tenham sempre em mente que as unhas crescem muito lentamente, e que todo tratamento de doenças das unhas, portanto, será longo, podendo interferir seriamente com os compromissos, prazos e oportunidades tão arduamente conquistados por artistas que lutam por um lugar ao sol num mercado tão restrito e exigente quanto o da música instrumental – seja erudita ou não.

DESCRIÇÃO ANATÔMICA DAS UNHAS


Matriz da unha: é uma fina e delicada camada de células que formam a unha, à semelhança de um bulbo capilar formador de pêlo ou cabelo. As células da matriz se dividem, migram para a raiz da unha e, lá, diferenciam-se, e produzem a queratina da unha. A constante adição de novas células e sua produção de queratina são responsáveis pelo crescimento da unha. Esta, à medida que vai crescendo, "desliza" sobre o leito ungueal.
Leito ungueal: é a parte do dedo que podemos visualizar através da transparência da unha, ao qual a unha é fortemente aderida e que é constituído por células epiteliais que são contínuas com as camadas superiores da pele, conhecidas como estrato basal e estrato espinhoso da epiderme.
Vale da unha: é o sulco formado entre as laterais da unha e a pele do dedo.
Corpo da unha: é a unha propriamente dita, ou a sua parte aderida através da qual por
transparência visualizamos o leito ungueal.
Raiz da unha: é a porção da unha que fica incluída ("escondida") sob uma dobra da pele. As células do leito ungueal situadas sob a raiz da unha constituem justamente outra definição da matriz da unha.
Lúnula: é a "meia-lua" com aspecto de crescente, de tom mais claro, que é totalmente visível nas unhas dos primeiros dedos (contados a partir do polegar) e que está totalmente coberta nas unhas dos quintos dedos. A lúnula é descrita como um reflexo da queratinização parcial das células nessa região.
Margem oculta: é a borda ou limite da unha onde se encontra a raiz.
Margem lateral: são as bordas ou limites laterais da unha, e que "mergulham" na pele do dedo, formando os vales das unhas. A margem lateral é fortemente aderida sob uma dobra de pele, à semelhança da raiz da unha.
Margem livre: é a borda ou limite externo da unha – a parte que costumamos lixar e polir segundo as diferenças anatômicas individuais e objetivos estéticos para a produção do som.
Perioníquio: é o espessamento da epiderme na margem lateral das unhas, especialmente na proximidade de sua margem livre.
Eponíquio: é a borda da dobra cutânea que recobre a raiz da unha – também conhecida como cutícula.
Hiponíquio: é o espessamento da epiderme que se une à borda livre da placa ungueal, sob sua superfície inferior, e que se nota facilmente na mão em que mantemos as unhas curtas para pressionar as cordas do violão na escala (ou "espelho" do instrumento), facilmente perceptível assim que as aparamos mais rentemente.

(Não é possível postar as imagens aqui, mas possuo um arquivo em .pdf com as mesmas).
Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3
Fig. 1 Unha, vista posterior. *Epônimo clínico: Cutícula = epiderme.
Fig. 2 Vista posterior da unha seccionada longitudinalmente para expor a metade esquerda da matriz da unha.
Fig. 3 Corpo da unha removido da matriz da unha, vista posterior.

(Fonte das imagens: SOBOTTA, ATLAS DE ANATOMIA HUMANA, vol. 1, 19ª ed., Editora Guanabara Koogan S.A., Rio de Janeiro, 1993, p. 254).
CONSTITUIÇÃO DA UNHA

A unha é constituída essencialmente por escamas córneas compactas, fortemente aderidas umas às outras, formadas com uma substância protéica chamada queratina. (Às vezes encontramos o termo "ceratina" em algumas traduções. Embora seja uma tradução mais correta, que deriva da mesma palavra grega que originou "cinema" – dizemos "cinema" e não "quinema" - o uso consagrou a forma "queratina", principalmente para distingui-la do grupo das ceras).
Existem mais de vinte queratinas distintas no epitélio humano. Pelo menos oito outras queratinas, chamadas queratinas duras, são específicas dos cabelos e das unhas. São chamadas às vezes de -queratinas (alfa-queratinas), para diferenciá-las das queratinas encontradas nas penas das aves, que têm uma origem evolucionária diferente e cuja estrutura molecular é totalmente diferente, chamadas de β-queratinas (beta-queratinas).
Dependendo da seqüência de aminoácidos que formarem a molécula protéica das queratinas, podemos ainda classificá-las em dois tipos: tipo I – queratinas ácidas, e tipo II – queratinas neutras ou básicas. A estrutura molecular das queratinas é sempre na forma de um filamento simples – o que a diferencia estruturalmente das estruturas de colágeno – uma importante proteína presente em praticamente todos os tecidos do corpo humano, e cuja estrutura é semelhante à da molécula de DNA (porém com três filamentos ao invés de dois).
Constatamos pela experiência pessoal que a maioria dos violonistas brasileiros acredita que a unha seja feita de colágeno, existindo mesmo aqueles que – vítimas de uma mentalidade mágica – aderem a estranhas dietas, baseadas em alimentos "ricos em colágeno", para "fortalecer as unhas". Todo alimento protéico, durante o processo digestivo, é degradado em seus aminoácidos constituintes. Desta forma, se um indivíduo consumisse "colágeno puro", em hipótese alguma este "colágeno" permaneceria intacto ou seria assimilado como tal pelas unhas. Os aminoácidos da dieta poderão ser utilizados pelo organismo na síntese de novas moléculas de colágeno (entre outras), mas nunca prioritariamente para "fortalecer" as unhas. O organismo utilizaria o alimento segundo suas próprias necessidades e prioridades metabólicas, e dificilmente a síntese de unhas seria uma necessidade premente. Tudo o que ingerimos na dieta será "espalhado" pelo corpo todo – podendo ser encontrados vestígios nas unhas, fato que determina a importância dada ao estudo delas pela Medicina Legal. São famosos os casos de homicídio por envenenamento descobertos pelo estudo de resíduos toxicológicos nas unhas das vítimas.
A queratina é rica em enxofre (cerca de 14%), devido às ligações cruzadas do tipo ponte dissulfeto presentes nas extremidades de suas moléculas, as quais são responsáveis pela insolubilidade desta proteína. O enxofre é o composto químico responsável pelo cheiro característico que sentimos quando queimamos unhas ou cabelos. A queratina é, assim, a principal responsável pela impermeabilidade da pele. No entanto, a unha tem uma estrutura porosa, o que permite a natural e regular troca de umidade e gases com o meio ambiente. A unha pode, portanto, ficar hiper-hidratada e amolecida (quando em contato prolongado com a umidade), ou ressecada e quebradiça quando por um motivo qualquer sofrer desidratação (ou quando for coberta por uma película química impermeabilizante). Existem queratinas características de células epiteliais em atividade proliferativa - estas queratinas específicas são muito úteis para o diagnóstico de cânceres epiteliais (carcinomas).
Em todos os organismos vivos, a síntese das proteínas ocorre a partir de um grupo de vinte aminoácidos distintos, que são idênticos em todas as espécies. Para os seres humanos, oito destes aminoácidos (nove para o bebê) são essenciais: uma vez que não são sintetizados pelo organismo, devem ser obtidos através da alimentação. A má nutrição irá causar uma insuficiência na disponibilidade de aminoácidos, o que poderá ter sérias implicações na saúde do organismo, tais como severas deficiências na síntese das proteínas constituintes dos órgãos, produção insuficiente de hormônios, comprometimento grave do sistema imunológico, prejuízo do crescimento e desenvolvimento das crianças e jovens, e uma infinidade de outras complicações graves. A outra importante causa de deficiências na síntese protéica é a informação genética herdada dos pais: a incrível flexibilidade da coluna de acrobatas contorcionistas não se deve a um treinamento físico, e sim a uma doença genética conhecida genericamente como colagenose.
Além de fornecer os aminoácidos que constituirão as proteínas do corpo, a dieta também deve suprir o organismo com vitaminas, que são essenciais no metabolismo da síntese protéica. Por exemplo, a hidroxilação é uma atividade bioquímica importante para a formação de moléculas de colágeno. A importância da hidroxilação do colágeno torna-se evidente no escorbuto. Todos sabemos que o escorbuto é causado por uma deficiência dietética de ácido ascórbico (vitamina C). Os primatas e as cobaias perderam a capacidade de sintetizar ácido ascórbico, razão pela qual têm que adquiri-lo da dieta. Há uma maneira bastante prática para se entender e visualizar o processo: qualquer indivíduo com noções elementares de culinária sabe que se usa sumo de limão para evitar que frutas (maçã, banana, abacate) e verduras (alcachofra) escureçam por oxidação. O sumo do limão é, portanto, um antioxidante. O exemplo mais comum de oxidação é a ferrugem. Existe uma enzima importante na síntese do colágeno, chamada prolil hidroxilase. O ácido ascórbico é um agente redutor (antioxidante) muito eficaz – ele mantêm a prolil hidroxilase em uma forma ativa, provavelmente por manter seu átomo de ferro no estado ferroso, reduzido. O colágeno sintetizado na ausência de ácido ascórbico é insuficientemente hidroxilado e, portanto, tem uma menor temperatura de fusão. Esse colágeno anormal não pode formar fibras adequadamente, e isso causa as lesões cutâneas e a fragilidade de vasos sanguíneos, tão destacados no escorbuto.
A dieta adequada deve, desta forma, suprir não só os aminoácidos (proteínas) e vitaminas, mas também os chamados oligoelementos, como por exemplo os minerais já citados ferro e enxofre, além de cobre, zinco, magnésio e muitos outros.
Distinguimos assim as doenças genéticas, onde a seqüência correta das unidades estruturais básicas das proteínas – os aminoácidos – é modificada, alterando assim a conformação final (o arranjo tridimensional dos átomos da molécula) e a função das proteínas, como resultado de uma informação genética defeituosa, das doenças por dieta inadequada, onde o fornecimento dos aminoácidos, vitaminas e oligoelementos é insuficiente para o funcionamento correto do metabolismo das células, órgãos e tecidos do corpo.
Essenciais também para o nosso sistema imunológico, as proteínas formam uma classe especial de macromoléculas por serem capazes de reconhecer especificamente moléculas muito diversas e interagir com elas – esta propriedade das proteínas hoje é famosa devido às campanhas esclarecedoras sobre AIDS (ou SIDA – Síndrome da Imuno Deficiência Adquirida). O repertório de vinte tipos de cadeias laterais (relacionadas com os vinte aminoácidos) permite que as proteínas se enovelem em estruturas distintas e formem superfícies e fendas complementares (tipo chave-fechadura). O poder de catálise das enzimas vem de sua capacidade de ligar substratos em orientações precisas e de estabilizar estados de transição na produção e na quebra de ligações químicas. Mudanças de conformação transmitidas entre locais distantes nas moléculas protéicas são a base da capacidade das proteínas de traduzir energia e informação.

(Fim da 1ª Parte)

EduardoBernini
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Re: UM ESTUDO SOBRE UNHAS 2ª parte

Mensagem por EduardoBernini » Seg 28 Jan 2008, 17:18

UM ESTUDO SOBRE UNHAS 2ª parte

PELE E ANEXOS

A pele constitui o revestimento protetor do corpo, sendo também o seu maior órgão. Sua constituição especial evita o dessecamento do organismo, a perda excessiva da temperatura, a penetração de agentes patogênicos e protege contra os raios solares. Ao mesmo tempo aproveita essa ação dos raios solares para a produção de determinadas vitaminas, como a vitamina D.
Na pele, encontram-se alguns dos anexos como: pêlos, unhas, glândulas sebáceas, sudoríparas e mamárias, que desempenham funções específicas. Basicamente a pele apresenta duas camadas superpostas: epiderme (externa) e derme (interna). Dependendo da região anatômica, a espessura das camadas varia.
A epiderme é considerada como um exemplo típico de epitélio pavimentoso estratificado queratinizado, e não só contém células implicadas na queratinização – os queratinócitos – como também outros tipos celulares que desempenham funções diversas. Os melanócitos sintetizam a melanina, as células de Langerhans estão relacionadas com a captação de antígenos e as células de Merckel com terminações nervosas.
Na derme estão localizadas terminações nervosas e os anexos. A pele, além do que foi acima mencionado, é um órgão que relaciona o organismo como um todo ao mundo exterior, por intermédio das terminações nervosas, sendo assim também um importante fator de interação social – outro detalhe da importância da saúde da pele. O profissional médico especializado nas doenças da pele é o Dermatologista.


ORIGEM EMBRIOLÓGICA DA UNHA

Assim como o pêlo, a unha é formada por uma invaginação de epiderme para a derme. Desta
forma, tem origem ectodérmica – uma origem "nobre", pois o Sistema Nervoso Central (entenda-se
cérebro e medula espinhal) também se origina de uma invaginação da ectoderme.


VELOCIDADE DE CRESCIMENTO DAS UNHAS


Em média, as unhas crescem por volta de 0,1mm (um décimo de milímetro) ao dia, sendo o crescimento mais rápido no verão do que no inverno, mais rápido nas unhas das mãos do que dos pés, e mais rápido na mão dominante (mais rápido na mão direito nos destros, mais rápido na mão esquerda nos canhotos).
As unhas individuais diferem ligeiramente nas velocidades de crescimento. Desta forma, em circunstâncias normais, as unhas dos dedos das mãos (quirodáctilos) levam cerca de cinco meses para crescer inteiramente, e as unhas dos dedos dos pés (artelhos ou pododáctilos) levam de 12 a 18 meses, razão pela qual as unhas dos dedos das mãos exigem ser cortadas mais freqüentemente.
A velocidade do crescimento das unhas é a razão pela qual o tratamento de suas doenças é tão demorado, o que resulta em pouca adesão do paciente ao tratamento, geralmente abandonado, o que cronifica (perpetua) as doenças das unhas.
Por isso é tão importante a compreensão da natureza e fisiologia das unhas por parte dos violonistas. Uma parada de cinco meses para tratar unhas doentes ou seriamente danificadas pode resultar no cancelamento de turnês, contratos de gravação, sociedades camerísticas (duos, trios, quartetos, etc.), a perda de um ano letivo por ausência em Música de Câmara ou abstinência da apresentação da suficiência do instrumento (peças e estudos) perante as Bancas Examinadoras das Faculdades de Música. Pode resultar mesmo na perda da obtenção da uma Bolsa de Estudos (graduação ou pós-graduação: Especialização, Mestrado, Doutorado) em território nacional ou no estrangeiro – frustrando desta maneira uma carreira internacional na sua fase mais crítica – justamente no começo.
As unhas variam no seu aspecto, forma, tamanho e resistência com a idade, não havendo diferenças no que diz respeito ao sexo. As unhas da criança são mais finas e menores, e com a idade tornam-se mais grossas.


O EXAME FÍSICO DAS UNHAS


Semiotecnicamente, as unhas devem ser inspecionadas e palpadas simplesmente pela compressão da borda livre. As alterações que deverão ser referidas propedeuticamente são:
a) cor e suas variações à compressão da borda livre;
b) forma;
c) resistência e espessura;
d) cutícula.
a) cor e variações: este é um estudo tão complexo que demandaria um espaço muito grande
para o texto necessário, além de exigir uma competência preliminar em outras matérias básicas do curso médico, devendo, portanto, ficar restrito aos estudantes e profissionais de medicina;
b) forma: igualmente complexa, mas podemos destacar as unhas em forma de "vidro de relógio" característica dos "dedos hipocráticos", que se caracterizam pelas últimas falanges dos dedos em forma aproximadamente esférica, descrita classicamente na literatura médica como "baqueta de tambor". Pode ter origem genética (congênita); ou decorrente de falhas da nutrição; ou em quadros cardíacos ou de câncer. A deformação oposta é a "unha em colher" ou coiloníquia, uma expressão de alteração metabólica em alguns casos de subnutrição global e em muitos tipos de anemia. O "sulco de Beau" é um sulco transversal, caminhando da raiz da unha até a borda livre, e as depressões puntiformes também podem ocorrer em afecções que comprometam a nutrição. Freqüentemente nestes casos também ocorrem estrias esbranquiçadas ou leuconíquia (manchas de um branco leitoso). Como a unha também cresce lateralmente e não apenas no sentido do comprimento, mais ou menos como um leque que se abre, o uso inadequado de unhas sintéticas por longos períodos pode impedir esta expansão lateral, causando uma invaginação da unha – ou seja, criando uma deformidade estrutural na forma de um ou mais sulcos, aumentando o risco de "encravamento". A deformação conseqüente a onicofagia ("comer unha" ou "roer unha") adquire diversas formas, e exprime a insegurança, o sentimento de inferioridade, a ansiedade excessiva, enfim, a angústia constante principalmente presente em crianças e nos jovens. A ausência de uma unha congênita (ou anoníquia) corresponde à falta de elementos genéticos da matriz ungueal.
c) resistência e espessura: a resistência e a espessura são variáveis com a idade, menores na infância e na velhice, e mais consistentes na idade adulta. As alterações da resistência e espessura são a paquiníquia (unha grossa), a escleroníquia (unha dura), a onicogripose (unha grossa e encurvada no sentido longitudinal), a onicorrexis (unha excessivamente frágil e mole), a helconíxia (destruição da unha deixando à vista o leito ungueal), a onicocauxis (deslocamento da unha a partir da matriz e por debaixo cresce nova unha que expulsa a antiga) e a coloníquia (adelgaçamento das unhas). Alguns violonistas acreditam que podem corrigir curvaturas indesejadas aplicando repetidamente uma certa pressão na borda livre da unha. A prática mostra que não se obterá o efeito desejado, podendo mesmo se criar deformidades pela manipulação obsessiva (tiques nervosos). O constante flexionamento da margem livre irá causar a fadiga da estrutura: do mesmo modo que um pedaço de arame (como um clipe de papel) que irá se romper se for repetidamente entortado no mesmo ponto, a unha se tornará frágil e propensa a se quebrar ou rasgar. Muitos acreditam que há vantagem em se colar reforços ou pequenas tiras de esparadrapo na margem livre da unha durante as longas horas de estudo. É uma ilusão: o tira-e-põe destes "reforços" irá arrancar camadas da estrutura escamosa da unha, tornando-a fina e quebradiça na parte que mais sofre com o atrito das cordas. Geralmente não se percebe esta perda de camadas até que o dano seja extenso. O mesmo se dá quando se utilizam esmaltes com reforço de fibras: estes produtos cosméticos não foram desenvolvidos para o uso que o violonista faz - técnicas de rasgueado raspam o esmalte, o músico passa mais um pouco do produto, o resultado é sempre uma maçaroca de camadas diferentes – e o músico acaba por arrancar mecanicamente o esmalte todo ou recorrendo a solventes como a acetona, que fragiliza e amolece as unhas. Então o desespero faz com que se apele para fortalecedores de unha tipo "casco de cavalo": o formaldeído (cancerígeno) e os álcoois destes produtos realmente enrijece as unhas, porém causam severa desidratação (daí a necessidade de glicerinas nas fórmulas) e a excessiva rigidez aumenta o risco de quebras ou rasgos. A unha traumatizada, mais fina, é muito mais suscetível a todos os tipos de doenças, desde infecções (fungos, bactérias, etc.) até o descolamento do leito ungueal ou um rasgo com hemorragia. Note-se que a definição clínica de onicólise (destruição da unha) é justamente o descolamento da placa ungueal de seu leito. Intérpretes de certos estilos musicais, como o "blues", estão sujeitos a este tipo de traumatismo por forçarem demais um "bend" (técnica de esticar uma corda com a ponta do dedo, alterando a altura da nota digitada – tipicamente na chamada "blue note"). Neste caso, deve-se imediatamente manter a unha pressionada contra o leito, com o uso de um curativo tipo bandeide – obviamente sem permitir que o adesivo entre em contato com a unha, não só para evitar a descamação, mas também para não arrancar de novo a unha de seu leito. Recomenda-se uma consulta o quanto antes com um médico, para evitar que a unha deixe de aderir ao leito – um quadro que pode se tornar irreversível. Geralmente, as alterações de resistência e espessura são dependentes dos processos inflamatórios de diversas etiologias: micoses, infecções purulentas por diversas bactérias, sífilis, etc.
d) cutícula: a cutícula normal é um prolongamento da pele da extremidade dos dedos, de espessura mais fina, e aderente à borda proximal da unha, tendo função protetora desta última. É ricamente vascularizada, e pela diminuição da espessura é mais sensível à dor. A cutícula pode se inflamar, constituindo, pela infecção estreptocócica, o panarício ungueal, que poderá ser parcial ou total. Outras infecções comuns são as micóticas por epidermofíceas, muito comuns em lavradores e domésticas, principalmente pela umidade quase permanente, constituindo o "habitat" preferido para as epidermofíceas se desenvolverem.

É MUITO IMPORTANTE SALIENTAR QUE TODOS OS SINAIS DESCRITOS, CADA UM ISOLADAMENTE, POR SI SÓ, NÃO DETERMINAM O DIAGNÓSTICO DA AFECÇÃO (DOENÇA) EM CAUSA. SOMENTE O MÉDICO TEM A QUALIFICAÇÃO TÉCNICA E LEGAL NECESSÁRIA PARA EXAMINAR O QUADRO COMO UM TODO, FAZER O DIAGNÓSTICO E PRESCREVER O TRATAMENTO ADEQUADO.
Um outro aspecto muito importante a se considerar é o uso de colas instantâneas (tipo "super- bonder"). Seu uso ocasional em unhas trincadas ou rachadas, mesmo em casos de extrema necessidade (alguns minutos antes de uma apresentação, por exemplo), representa um risco elevado. Qualquer um pode entender que um ponto rígido em uma estrutura flexível sujeita a esforços é um ponto com imensa probabilidade de fratura. Imaginem a cena: o músico no palco (solando ou integrando um grupo de música de câmara), totalmente confiante na resistência da cola, sofrendo uma quebra da unha justamente onde foi colada (ou bem próximo ao "remendo"). Então será tarde demais, e o momento emocionalmente traumático dificilmente será esquecido... Os adesivos instantâneos são extremamente tóxicos, podendo causar inclusive reações alérgicas. A intensidade destas reações alérgicas pode causar a perda da unha, ou mesmo quadros clínicos muito sérios.



CONCLUSÃO


Não há soluções milagrosas. A qualidade essencial das unhas é determinada geneticamente, e não irá se alterar significativamente por nenhum processo artificial. Para se manter as unhas saudáveis, devemos seguir certos princípios gerais de boa saúde:

.Dieta variada (alimentar-se corretamente, evitando os excessos e vícios)
.Procurar abster-se do uso de drogas ilegais e de quaisquer substâncias prejudiciais à saúde (álcool, café, chá preto, fumo, etc.)
.Equilíbrio entre as atividades de trabalho e lazer
.Dormir somente o que for necessário, desenvolvendo bons hábitos de sono regular (procurar recolher-se e despertar sempre nos mesmos horários)
.Cuidados com a higiene devem ser incentivados e mantidos
.Observar uma correta postura física em todas as atividades e conhecer os princípios ergonométricos envolvidos em cada atividade específica
.Devido a uma enorme variedade de elementos a serem considerados para cada indivíduo,
procurar conselho médico sempre que necessário
.Manter as unhas no menor comprimento possível para evitar traumatismos
.Evitar o uso abusivo de todos os tipos de produtos químicos (ou a manipulação dos mesmos sem proteção adeqüada, como luvas de trabalho)
.Toda medicação, ainda que de uso externo, ou mesmo o uso de vitaminas, deverá ter
aconselhamento médico prévio
.Acidentes acontecem: sempre tenha cuidado!


A arte musical não está nas suas unhas, e sim no seu coração – adapte a técnica para o tipo de unhas que você tem.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Vários autores. STEDMAN DICIONÁRIO MÉDICO, ilustrado, traduzido sob a coordenação de Sérgio Augusto Teixeira, editora Guanabara Koogan S.A., Rio de Janeiro, 1979.
RAMOS JR., J. SEMIOTÉCNICA DA OBSERVAÇÃO CLÍNICA, reimpressão da 7a. edição, Sarvier Editora de Livros Médicos Ltda., São Paulo, 1995.
Vários autores. CLÍNICA MÉDICA – PROPEDÊUTICA E FISIOPATOLOGIA, editoria de Marcello
MARCONDES, Duílio Ramos SUSTOVICH e Oswaldo Luiz RAMOS. 3a. edição, Editora Guanabara Koogan S.A., Rio de Janeiro, 1988.
GARDNER, E., GRAY, D. J., O'RAHILLY, R. ANATOMIA – ESTUDO REGIONAL DO CORPO HUMANO, traduzido sob a supervisão de Rogério Benevento, 4a. edição, Editora Guanabara Koogan S.A., Rio de Janeiro, 1988.
ROSS, M. H., REITH, E. J., ROMRELL, L. J. HISTOLOGIA: TEXTO E ATLAS, com ilustrações de Lydia V. Kibiuk, tradução supervisionada pelo Prof. Gerson Cotta-Pereira, 2a. edição, editora Panamericana, São Paulo, 1993.
DU VIVIER, A. ATLAS DE DERMATOLOGIA CLÍNICA, 2a. edição, 1a. edição brasileira, editora Manole Ltda., São Paulo, 1995.
GRAY, H. ANATOMY, DESCRIPTIVE AND SURGICAL, 48a. impressão da edição de 1974, fac-símile da edição de 1901, editora Running Press, Philadelphia, Pennsylvania, 1.257 páginas.
JUNQUEIRA, L. C., CARNEIRO, J., HISTOLOGIA BÁSICA, 7a. edição, editora Guanabara Koogan S.A., Rio de Janeiro, 1990.
GENESER, F., ATLAS DE HISTOLOGIA, tradução por Manuel de Jesus Simões ...et al., 1a. edição, Editora Médica Panamericana, São Paulo, 1987.
ALBERTS, B., BRAY, D., LEWIS, J., RAFF, M., ROBERTS, K., WATSON, J. D., MOLECULAR BIOLOGY OF THE CELL, 2a. impressão da 3a. edição, editora Garland Publishing Inc., New York & London, 1994.
DAVIS, P. W., SOLOMON, E. P., BERG, L. R., THE WORLD OF BIOLOGY, 4a. edição, editora Saunders College Publishing, Philadelphia / Ft. Worth / Chicago / San Francisco / Montreal / Toronto / London / Sydney / Tokyo, 1990.
STRYER, L., BIOQUÍMICA, tradução de João Paulo de Campos, Luiz Francisco Macedo e Paulo Armando Motta, 3a. edição, editora Guanabara Koogan S.A., Rio de Janeiro, 1992.
MURRAY, R. K., GRANNER, D. K., MAYES, P. A., RODWELL, V. W., HARPER: BIOQUÍMICA, tradução e coordenação de Tomoko Higuchi e tradução de Ezequiel Weisbich, Jaime F. Leyton e Vilma Leyton, 7a. edição, ATHENEU EDITORA SÃO PAULO LTDA., São Paulo, 1994.
ZANINI, A. C., OGA, S., FARMACOLOGIA APLICADA, 5a. edição, ATHENEU EDITORA SÃO PAULO LTDA., São Paulo, 1994.
NEVES, D. P., DE MELO, A. L., GENARO, O., LINARDI, P. M., PARASITOLOGIA HUMANA, 9a. edição, Editora Atheneu, São Paulo, 1995.
TRABULSI, L. R., MICROBIOLOGIA, 2a. edição, LIVRARIA ATHENEU EDITORA, Rio de Janeiro e São Paulo, 1991.
HAMMERSEN, F., SOBOTTA/HAMMERSEN ATLAS DE HISTOLOGIA – CITOLOGIA, HISTOLOGIA E ANATOMIA MICROSCÓPICA, 420 ilustrações, traduzido por Elizabeth Carneiro Mesquita, 1a. edição, Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1978.
NOMINA ANATOMICA, Quinta Edição Aprovada pelo 11o. Congresso Internacional de Anatomistas, Cidade do México, 1980, traduzida sob a supervisão da Comissão de Nomenclatura da Sociedade Brasileira de Anatomia, 1a. reimpressão, MEDSI Editora Médica e Científica Ltda., Rio de Janeiro, abril de 1987.
LESER, W., BARBOSA, V., BARUZZI, R. G., RIBEIRO, M., FRANCO, J. L., ELEMENTOS DE EPIDEMIOLOGIA GERAL, 1a. edição, editora LIVRARIA ATHENEU, Rio de Janeiro e São Paulo, 1988.
MARCOPITO, L. F., SANTOS, F. R. G., YUNIS, C., EPIDEMIOLOGIA GERAL – EXERCÍCIOS PARA DISCUSSÕES, 1a. edição, LIVRARIA ATHENEU EDITORA, Rio de Janeiro e São Paulo, 1992.
ROITT, I. M., BROSTOFF, J., MALE, D. K., IMUNOLOGIA, tradução de Ida Cristina Gruber, 3a. edição, Editora Manole Ltda., São Paulo, 1981.
BERQUÓ, E. S., SOUZA, J. M. P., GOTLIEB, S. L. D., BIOESTATÍSTICA, 3a. reimpressão da 1a. edição revista, Editora Pedagógica e Universitária Ltda., São Paulo, 1981.
TÄHKÄ, V., O RELACIONAMENTO MÉDICO-PACIENTE, tradução de José Octavio de Aguiar Abreu, Editora Artes Médicas Sul Ltda., Porto Alegre, 1988.
JEAMMET, P., REYNAUD, M., CONSOLI, S., MANUAL DE PSICOLOGIA MÉDICA, traduzido sob a supervisão de Sonia Regina Pacheco Alves, editora Masson/Atheneu/Durban (editora Durban Ltda.), São Paulo, sem data.
MANUAL MERCK DE MEDICINA, 16a. edição, editora Roca Ltda., São Paulo, 1995.
SOBOTTA, J., ATLAS DE ANATOMIA HUMANA, 18a. e 19a. Edição Atualizada, Volume 1 – Cabeça, Pescoço, Membros Superiores, Pele – traduzido por Hélcio Werneck, M.D., Ph.D., editora Guanabara Koogan S. A., Rio de Janeiro, 1993.

MARCOLEAL

Re: UM ESTUDO SOBRE UNHAS 1ª parte

Mensagem por MARCOLEAL » Qua 30 Jan 2008, 23:43

ola amigo gostei muito do seu texto mas tambem tenho necessidade de lhe fazer uma pergunta . pelo que percebi vosse toca com unhas ?! e chegou a conclusao que:A arte musical não está nas suas unhas, e sim no seu coração – adapte a técnica para o tipo de unhas que você tem.
e porque nao tenta sem unha ?? EMILIO PUJOL disse : a unha e uma materia morta nao pode jamais exprimir sentimentos. acho que era mais uma experiencia a juntar atodas as outras que partilhou conosco um abraço e obrigado. :?:

EduardoBernini
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Re: UM ESTUDO SOBRE UNHAS 1ª parte

Mensagem por EduardoBernini » Qui 31 Jan 2008, 00:46

Olá!

Bem, não cheguei a esta conclusão! É verdade, a arte musical não está nas unhas, e sim no coração!

Eu não diria que toco com as unhas - as unhas servem apenas para apoiar a polpa da ponta do dedo, certamente fazem parte do timbre, mas basicamente o que toca as cordas é mesmo a polpa do dedo. É realmente impressionante o que as pessoas podem concluir sem nunca terem visto ou ouvido alguém tocar!

Certamente o que o Emilio Pujol disse parece poético, mas não científico: as unhas NÃO SÃO MATÉRIA MORTA, e, como parte do corpo do musicista, podem sim ser muito importantes para a expressão dos sentimentos. Andrés Segovia era bastante claro: dizia que, se uma pessoa não tem as unhas perfeitas (com o equilíbrio exato entre rigidez e flexibilidade), então o violão perde todo o seu charme, e seria melhor fazer qualquer outra coisa, menos tocar violão.

Claro, é inevitável: as pessoas sempre poderão ser muito passionais, o que se pode fazer a respeito? Há uma forte tendência, no meio artístico, aos "argumentos de autoridade" - bem, isto não é válido em ciência. Demonstra-se o que é fato objetivo, independente das opiniões subjetivas e pessoais, isto é o método científico. Certamente há artistas da mais alta qualidade que somente usam as unhas, outros que somente usam as polpas dos dedos - ninguém é dono da verdade, não se pode dizer que "algo está errado" em arte. Pode-se, quando muito (e aí, sim, com muita propriedade) afirmar que algo descaracteriza: você pode tocar alaúde com as unhas, mas estará descaracterizando a técnica própria do instrumento, no mínimo quanto ao que já se comprovou historicamente como a técnica de seu período áureo... A Medicina, afinal, serve-se da ciência mas não é, ela mesma, ciência, e sim, arte! Isto pelo grande número de variáveis a se considerar em cada caso - e somente se pode afirmar que é uma ciência - no sentido estrito do termo - quando se lida, no máximo, com duas variáveis de cada vez. Portanto, existem médicos e médicos... Existem violonistas e violonistas!

Mas eu me lembro, uma vez em São Paulo, na década de 1980, um duo de pianistas - indivíduos de muito baixa estatura física - que fizeram uma maravilhosa apresentação de piano a quatro mãos. Logo após a apresentação, uma elegante senhora da alta sociedade estava deslumbrada, e perguntou aos artistas: - "Mas como é que vocês conseguem tocar tão bem com mãos tão pequenas?"

Ao que responderam os grandes artistas: - "Mas, minha senhora, quem é que lhe disse que tocamos com as mãos?"

Claro que acredito em tocar totalmente sem unhas - é quase tão radical quanto tocar exclusivamente com as unhas. Uma técnica de polpa é bastante adeqüada para música antiga, e pode não ser totalmente satisfatória para muito do repertório do séc. XX. Por outro lado, o som exclusivo de unhas não é exatamente o ideal buscado pelos mais destacados artistas do violão erudito. Enfim, cada um tem que descobrir o seu próprio caminho - mesmo os que respeitam totalmente a tradição.

Quem tem experiência o suficiente percebeu minha principal intenção: aliviar a angústia dos que acreditam não ter as unhas perfeitas (segundo um ideal determinado sabe-se lá por quem) e garantir que todos podem desenvolver uma arte de nível superior, bastando para tanto desenvolver a técnica personalizada adeqüada à sua própria anatomia. Certos pianistas de mãos muito pequenas não poderão jamais desenvolver um determinado tipo de repertório onde se explore excessivamente oitavas com muita velocidade, o que não significa em absoluto um limite à sua arte, bastando para isso apenas dedicar-se a um repertório em que não haja tanta importância nas oitavas velozes. Django Reinhardt tinha a mão esquerda muito deformada por queimaduras, e só tocava com os dedos indicador e médio - era tamanho artista, que o próprio Segovia, maravilhado, aproximou-se dele e perguntou onde ele (o Django) encontrava partituras tão bonitas - e o Django, humildemente, explicou que estava apenas improvisando...

É próprio da juventude querer sugerir "experiência", mesmo àqueles que possuem mais experiência musical que os que sugerem têm de tempo de vida. De fato, em música, experiência é tudo!

O grande concertista russo Horowitz relatou, certa vez, já em muito avançada idade, que quando o pai dele finalmente compreendeu que o filho seria um artista, um concertista profissional, saiu de casa e retornou com uma enorme pilha de livros de literatura - os melhores autores. Presenteou o filho com os livros e disse: "Meu filho, se você vai mesmo ser um artista, então precisará nutrir a sua alma" - e foi assim que Horowitz desenvolveu sua arte inigualável, nutrindo-se de cultura e da mais refinada literatura, tornando-se um dos maiores intérpretes de todos os tempos (e isto nada tem a ver com a forma ou o tamanho de suas mãos). Dá mesmo para se saber muito da alma de uma pessoa pelo que ela escreve - sabe-se de seu nível cultural, intelectual e até mesmo artístico!

MARCOLEAL

Re: UM ESTUDO SOBRE UNHAS 1ª parte

Mensagem por MARCOLEAL » Sáb 02 Fev 2008, 01:03

OLA SR EduardoBernini FIQUEI COM A SENSAÇAO QUE FICOU OFENDIDO COM A MINHA HUMILDE QUESTAO POIS ACREDITE QUE ESTAVA LONGE DE SER MINHA INTENÇAO ALIAS A QUESTAO ERA MESMO SOBRE O DILEMA DO USO O NAO DESTE RECURSO SEM MAIS OBRIGADO.

MARCO LEAL

EduardoBernini
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Re: UM ESTUDO SOBRE UNHAS 1ª parte

Mensagem por EduardoBernini » Sáb 02 Fev 2008, 02:44

Olá Sr. Marco Leal,

Perdoe-me se soei defensivo, acredite-me, a comunicação escrita, ainda mais em ambiente Internet, pode ter deste tipo de má interpretação!

Não me senti ofendido, e sei que comprenderá que igualmente não tive nenhuma intensão ofensiva!

São as palavras, pobres palavras, jamais poderão expressar o mesmo tanto que a linguagem do olhar e do tom de voz...

Sei que seremos bons amigos!

Um forte abraço! :guitare:

MARCOLEAL

Re: UM ESTUDO SOBRE UNHAS 1ª parte

Mensagem por MARCOLEAL » Seg 04 Fev 2008, 15:49

OLA SR Eduardo Bernini A LINGUA PORTUGUESA TEM DESSAS COISAS E MUITO TRAIÇOEIRA CONTUDO NADA QUE A AMIZADE NAO SUPERE UM ABRAÇO AMIGO.

walder
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Registrado em: Seg 14 Jul 2008, 01:29

Re: UM ESTUDO SOBRE UNHAS 1ª parte

Mensagem por walder » Qui 17 Jul 2008, 02:45

Gostei, todos dois se sairam muito bem, importante também é o clima de cordialidade. Parabéns, o autor discorreu com brilhantismo sobre o assunto.
Um abraço.