CHIADOS

FernandoSor
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Re: CHIADOS

Mensagem por FernandoSor » Sex 29 Fev 2008, 17:11

Realmente passar a mão no cabelo não é a melhor saída. Fui tentar fazaer graça e acho que não fui feliz... :roll:

Na minha experiência, um pouco de oleosidade na ponta dos dedos da mão esquerda ajuda. Claro que não é nenhuma solução miraculosa e tem que ralar estudando de qualquer maneira. :chitarrista:

Acho que o Eduardo fez ótimas colocações, mas não devemos confundir óleo com água. O suor é água com impurezas e ácido úrico. Certamente que o suor atrapalha. Experimente colocar suor na dobradiça de uma porta. Por isso para lubrificar usamos óleo e não água.

Limpar o violão e as cordas após tocar deve ser rotina. Uma dica que dou para recuperar o brilho de cordas velhas é lavar com sabão. Longe de ficar como nova, mas dá para enrolar mais uns dias...
Nunca pensei em usar cera ou algo parecido. Qualquer hora vou testar pra ver.

Usar óleo na mão direita, para mim, atrapalha. Penso que aí é importante manter um bom deslizamento lixando a unha no formato adequado e dando um bom polimento (recomendo usar, no mínimo, lixa 700). Mas o deslizamento excessivo causado pela oleosidade parece atrapalhar no arredondamento do som. Comigo não chega a soar plástico. Creio que atrapalha na "pegada". Para mim, mão direita tem que ter um certo "chiado". Importante deixar claro que não é exatamente um barulho anti-musical. É uma espécie de ruido que define o som. Dá articulação. Aliás, de perto chia, mas quem ouve de longe praticamente não percebe. É o tal de estudar para tocar sem amplificação...

Enfim, minha opinião.
Recomendo testar e chegar as suas próprias conclusões.

sds

EduardoBernini
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Re: CHIADOS

Mensagem por EduardoBernini » Sáb 01 Mar 2008, 02:16

Olá!

Com todo o respeito, FernandoSor, você sempre faz excelentes colocações, e é bem orientado no tocante ao violão erudito, mas preciso lembrar: tenho 5 anos de Curso Médico pela UNIFESP-EPM (Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina). Curso que fiz APÓS me bacharelar em Instrumento (violão erudito), Composição e Regência (no meu tempo, foram três cursos independentes de Música). Conheço o suficiente de Fisiologia, Bioquímica e outras tantas ciências, para não confundir "óleo com água". O suor não é "água com impurezas e ácido úrico", nem tampouco o "sebo" dos cabelos é óleo puro.

Sem mencionar que o couro cabeludo é riquíssimo em glândulas sudoríparas, o que, por si só, já "contaminaria" o "óleo" com ácido úrico o suficiente para oxidar muito mais do que as cordas do violão, bem mais do que a oleosidade da pele poderia, supostamente, proteger da oxidação. É preciso não confundir, isso sim, a oleosidade da pele com óleo lubrificante industrial refinado.

De fato, o caminho é cada um experimentar até chegar às próprias conclusões. Porém, imagine se todos tivessem que testar tudo do zero, sempre... Não seria nada útil a experiência dos profissionais. Daí a importância das qualificações e das referências. O que é estabelecido cientificamente, deverá dar sempre os mesmos resultados, se o procedimento for idêntico. Se não, não é ciência. E um fato muito bem estabelecido, e que não é sujeito a interpretações subjetivas, é a ação corrosiva e oxidante da oleosidade da pele. Qualquer um que usar óculos estará acostumado a limpar o "cinabre" que acumula nas partes metálicas. E o que é este "cinabre", se não uma oxidação do metal, que adquire uma cor esverdeada, e cujo principal elemento (em porcentagem de composição) é óleo da pele?

Quando for experimentar cera, lembre-se: não recomendei uma cera qualquer, mas especificamente a cera do favo de mel das abelhas. É para dar "pegada", "agarre", e não para lubrificar! Você certamente não precisa deste recurso pedagógico, já deve ter boa técnica neste sentido. Mas vale a experiência, poderá discernir se é um recurso a ser utilizado com certos alunos. O resultado é mais impressionante para quem não usa unhas, e sim, apenas a técnica de polpa dos dedos. Quem usa o toque misto poderá perceber o efeito claramente. Quem só usa unhas, nem deve perder tempo tentando, não faz a menor diferença.

Um forte abraço! :guitare:

cristina_salomao
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Re: CHIADOS

Mensagem por cristina_salomao » Sáb 01 Mar 2008, 15:13

Eduardo,
Você falou algo do qual eu gostaria de saber mais. Essas técnicas de toque com a polpa, mista e com a unha. Afinal, o que você pode me dizer disto: são escolhas pessoais para tocar em geral, de acordo com a afinidade de cada um ou são técnicas que podem ser usadas dependendo do que se quer tocar e do som que se quer obter? Eu detesto usar unhas grandes. Poderia "escolher" então tocar só com a polpa?

E fica uma outra pergunta: é possível tocar Abismo de Rosas sem chiar ( hoje isso ainda me parece impossível)? :roll:

Abraços,
Cristina :bye:

EduardoBernini
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Re: CHIADOS

Mensagem por EduardoBernini » Sáb 01 Mar 2008, 21:12

Olá Cristina!

Em primeiro lugar, você não é obrigada a nada, nunca, por ninguém! A Arte é soberanamente livre! Embora haja um conhecimento técnico historicamente definido (não se canta gregoriano com suíngue de jazz - a menos, é claro, que quem fizer isso assumir que não está reconstruindo a interpretação da época, porque isso descaracteriza o que se faz em gregoriano), a arte é livre para que se faça o que se quiser. Quem deseja ter uma carreira sólida e reconhecida, deve ter um conhecimento profundo do que está fazendo, para lograr o sucesso almejado. Portanto, nem tudo é escolha pessoal, quando se trata de interpretar música erudita - muitas coisas estão muito bem estabelecidas. Entretanto, o artista não deve permitir nada que se interponha entre o que deseja expressar e sua forma pessoal de expressão. É por isso que se diz que "gosto não se discute, lamenta-se".

A celeuma do toque com ou sem unha começou de fato na época do Tárrega. O toque misto, proporcionado por uma unha de comprimento apenas o suficiente para apoiar a ponta da polpa dos dedos, e cuja participação no timbre é parcial, ou seja, toca-se a corda com a ponta da polpa e a unha ao mesmo tempo, é o padrão dos principais artistas de alto nível hoje: Everton Gloeden, Manuel Barrueco, Angelo Gilardino, Paul Galbraith, e muitos outros. São músicos que estão na ponta-de-lança da técnica. Pepe Romero e Turíbio Santos, por exemplo, excelentes músicos, são um museu vivo da Técnica de Tárrega - eles tocam exatamente como Tárrega ensinava a tocar.

O toque exclusivo de polpa é mais apreciado pelos especialistas em música antiga - NADA impede que se toque violão, com a máxima qualidade de interpretação, apenas com a polpa. Entretanto, há que se desenvolver uma técnica esmerada, se se deseja tocar todo e qualquer tipo de repertório. Algumas coisas obviamente são bem mais fáceis com um pouquinho de unha. Mas pode-se tocar de tudo apenas com a polpa. A Técnica de Tárrega não se presta ao toque exclusivo de polpa.

O toque exclusivo de unha é repudiado pelos violonistas eruditos de qualidade superior. É algo que é mais explorado pelos músicos populares. O timbre exclusivo de unha é qualificado como "HORRÍVEL" pelo Everton Gloeden - um dos mais importantes violonistas do mundo hoje em dia, um brasileiro que admiro sinceramente.

Eu toco o Abismo de Rosas sem nenhum chiado, usando todo o portamento (o arrastar de uma nota a outra), sem usar cordas flatwound e sem usar quaisquer artifícios. Não creio que isto seja importante neste repertório. Interpretando Bach há outro compromisso.

Um forte abraço! :guitare:

FernandoSor
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Re: CHIADOS

Mensagem por FernandoSor » Seg 03 Mar 2008, 13:39

EduardoBernini escreveu: O toque exclusivo de unha é repudiado pelos violonistas eruditos de qualidade superior. É algo que é mais explorado pelos músicos populares. O timbre exclusivo de unha é qualificado como "HORRÍVEL" pelo Everton Gloeden - um dos mais importantes violonistas do mundo hoje em dia, um brasileiro que admiro sinceramente.
Eu, particularmente, também prefiro o toque polpa/unha e variações, ataque mais lateral ou mais frontal etc., tudo que possa dar mais colorido. Porém é uma opção artística pessoal.

Mas há violonistas eruditos que tocam somente com unhas. O David Russell, a Margarita Escarpa (que foi sua aluna), entre outros, tocam somente com unha. São violonistas que não utilizam uma paleta muito ampla de colorido, mas atingem uma sonoridade imaculada.

Desconheço algum violonista erudito que seja concertista e toque sem unhas. Os que tocam, são em instrumentos de época como já citado: alaúde, vihuela, guitarra barroca ou classica etc. Tocando nestes instrumentos, também percebe-se que a técnica é um tanto diferente ao comparar com o violão moderno. São instrumentos mais sensíveis, com variações de sonoridade mais sutis, usam cordas de tensão bem baixa etc. Enfim, a técnica da mão direita é outra.

No caso da música popular é diferente. Toca-se amplificado, buscam-se outros ideais. Imaginem tocar o Aranjuez sem unhas...

cristina_salomao
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Re: CHIADOS

Mensagem por cristina_salomao » Seg 03 Mar 2008, 20:26

Caros amigos,
Agradeço imensamente as respostas ! Apesar de parecer que este assunto já estava esgotado, eu percebi que estava radicalizando a respeito das unhas, deixando-as crescerem demais, a ponto de me incomodar e estava caminhando para um toque somente com unhas. Finalmente, depois das ultimas postagens , analisei bastante meu toque, lixei um pouco as unhas e concluí que sempre toquei da forma polpa/ unha e é assim que vou tocar. Apenas estava um pouco confusa a esse respeito. Mais uma vez, obrigada, agora estou realmente satisfeita com os resultados!
Abraços,
Cristina :bye:

Cajunho
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Re: CHIADOS

Mensagem por Cajunho » Ter 24 Jun 2008, 14:24

Olá
Caro Eduardo Benini, me satisfaça uma curiosidade: você chegou a se formar em medicina? Se sim, em que área você atua?
Agradeço a atenção, se ela porventura me for dedicada.

JBCPOETA
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Re: CHIADOS

Mensagem por JBCPOETA » Qua 25 Jun 2008, 04:05

obrigado a todos que se expressaram nesse tópico, para mim e, creio que para todos, foi de grande valia.
abraços.