Tárrega

Paulo

Tárrega

Mensagem por Paulo » Sex 10 Set 2004, 16:39

Francisco de Asís Tárrega Eixea nasceu em Vila-real, em 21 de Novembro de 1852, em uma casa situada junto ao santuário de San Pascual Baylón. Seus pais, Francisco
Tárrega Tirado, e sua mãe, Antonia Eixea Broch, trabalharam como caseiros para as Madres Clarissas.
Devido a ocupação de seus pais, o pequeno Francisco ficou aos cuidados de uma babá.
Um dia, Francisco fugiu de sua ama, caindo em um riacho perto de sua casa. Isto lhe causou um forte choque, danificando sua visão para sempre.
Seu pai pensou que Francisco poderia perder completamente a vista, de maneira que se mudaram para Castellón para que participasse de aulas de música e, em caso de ficar cego, pudesse ganhar a vida tocando algum instrumento. Foi curiosamente um músico cego, Eugeni Ruiz, quem ensinou a Tárrega suas primeiras lições musicais. E outro cego, Manuel González, também conhecido por "O cego da Marina" foi quem o
iniciou no mundo do violão. Este ganhava a vida tocando violão, e sabia muito bem todos os truques para animar a generosidade do público, segredos que ensinou ao jovem Tárrega.

Os anos de estudante são difíceis. O piano é o instrumento de moda, enquanto o violão perdeu seu prestigio anterior, caindo ao ponto mais baixo na escala de instrumentos. Sendo considerado inapropriado para os concertos, seu papel estava reduzido ao mero acompanhamento de cantores.
Foi no mesmo Conservatório Nacional de Música onde, tendo visto a grande qualidade de Tárrega com o violão em um concerto, seu professor Arrieta o abraçou e lhe disse: "La guitarra te necesita, y tu has nacido para ella". Desde esse preciso instante, Tárrega abandona sua carreira de piano e se concentra exclusivamente em seu
instrumento preferido. Durante o inverno de 1880, Tárrega substitui seu amigo e violonista Luis de Soria em um concerto em Novelda (Alicante), cidade onde conhece sua futura esposa, Maria Rizo.

Sua fama começa a crescer e seu sentimento interpretativo cativa o publico. Em 1881 se muda para França. Depois de um maravilhoso concerto em Lyon, chega a Paris onde conhece as personalidades mais importantes da época. Atua em vários teatros, sendo convidado a tocar para a Rainha da Espanha, Isabel II, e prossegue sua viagem até
Londres. Dali volta a Novelda para contrair matrimônio com sua prometida Maria Rizo.
A nova família viaja à Madrid, onde sua primeira filha, Maria Josefa, nasce e logo falece. Depois se estabelecem em Barcelona, e desde então viajam a inúmeros lugares para oferecer seus concertos. Esse é o período de maturidade musical de Tárrega.
Realiza freqüentes turnês: Perpiñán (França), Cádiz (Espanha), Niza (França), Mallorca (Espanha), Paris, Valencia. Em Valencia conhece uma dama que influenciaria sua carreira: Concha Martinez, rica viúva que o toma sob sua proteção artística, emprestando-lhe uma casa em Sant Gervasi (Barcelona). É ali que Tárrega compõe a maioria de suas mais famosas obras mestras.
De volta de uma viagem a Granada escreve o trêmulo "Recuerdos de la Alhambra", e estando em Almería tem a inspiração para compor "Danza Mora". Em Almería conhece o compositor Saint-Saens e mais tarde, em Sevilha, escreve a maioria de seus "Estudos", dedicando a seu querido amigo e compositor Breton a bela composição "Capricho Árabe". No entanto, Tárrega não se sente satisfeito com o som que estava obtendo em seu violão e, aos 50 anos, em 1902, decide jogar com seu próprio prestigio, começando a cortar as unhas pouco a pouco até quase desaparecer por baixo da pele dos dedos, que se endurece até obter um doce som característico da sua escola. Continua seus grandes concertos: Bilbao na Espanha, Gênova, Milán, Florência, Nápoles y Roma na
Itália. Neste país demonstra sua incomparável maestria, tal como reflete as
crônicas, fazendo multidões de amigos e admiradores.
Mas fora a fama não se pode trocar a personalidade de Tárrega. Homem sensível e carinhoso, segue abrindo as portas de sua casa a todos seus amigos sem ter em conta sua condição social. Tárrega era uma pessoa tímida que preferia os concertos de ambiente familiar, com um reduzido número de público aos grandes teatros. Esta forma de ser o fez gastar a maioria do dinheiro que tinha ganhado, até o ponto em
que seu irmão Vicente o ajudou a superar as dificuldades dando aulas de violão aos alunos de Tárrega enquanto este viajava.
Mas a sorte não estava do lado de Tárrega e em Janeiro de 1906 um derrame deixa paralítico a metade esquerda de seu corpo. A recuperação foi lenta e penosa. O largo tempo da enfermidade esvaziou os cofres familiares, e muitos de seus amigos demonstraram que o eram devolvendo-lhe os favores que os tinham feito Tárrega em tempos melhores. Assim, organizavam uma série de concertos bimestrais, as "Audições Tárrega", nas quais seus amigos pagavam ao mestre por suas interpretações.
Tárrega se recupera e inicia de novo suas turnês. Em Outubro de 1908 sente saudades e volta a Castellón . Daí parte para Novelda em 1909, voltando a Valencia, Cullera e Alcoi para oferecer alguns concertos. Em Picanya compõe sua última obra, "Oremus", terminada em 2 de Dezembro. Em 3 de Dezembro se sente mal e volta a Barcelona,
permanecendo em sua casa da rua Valencia até 15 de dezembro de 1909 de madrugada, quando falece. Seus restos repousam no cemitério de Castellón, onde pode-se visitar seu panteão.

Paulo

alex 7cordas
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Mensagem por alex 7cordas » Qua 13 Jul 2005, 19:22

bela biografia hein ?

zina
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Mensagem por zina » Qui 14 Jul 2005, 08:17

grande compositor..gosto mto das suas obras..

Rodrigo Fernandes

Mensagem por Rodrigo Fernandes » Sex 15 Jul 2005, 13:00

É o melhor de sua geração...

Absolon
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Tarrega

Mensagem por Absolon » Qui 18 Ago 2005, 22:07

Tárrega foi um artista genial e sua obra divulgou-se pelo mundo todo porque encerra a expressão sensível do belo. Platão que sonhou com um mundo melhor, diz que a morte só é vencida com a obra, e o maravilhoso maestro valenciano realmente venceu a morte com sua própria obra.

Isaías Sávio
(http://www.geocities.com/cameratahvl/)

Como disse antes, volto a repetir, faço minhas as palavras do Mestre Sávio.

Até mais!!!

Tó Sousa

Mensagem por Tó Sousa » Qui 15 Set 2005, 11:26

Gosto muito de Tárrega, dá prazer tocar peças dele. São feitas para a sonoridade, típica, da guitarra clássica.
Alguém tem a peça Pepita dele.

jose de copertino

Tárrega é genial!

Mensagem por jose de copertino » Qui 15 Set 2005, 18:38

Tenho ouvido Tárrega essa semana.
Consegui uma coletânea de execuções de peças do período romântico, bem como da Integral, tocada por Russel.
Realmente Tárrega tem uma carga emotiva surpreendente!
Ao ler essa bigrafia, que complementa outra que tive acesso, demonstra a razão disso.
Valeu por esse texto!
J.Copertino

Tó Sousa

Mensagem por Tó Sousa » Sex 16 Set 2005, 13:44

Gostava de saber que textos são esses

Tó Sousa

Mensagem por Tó Sousa » Sex 16 Set 2005, 13:46

Estou ansioso que alguém me faculte o tema Pepita do Tárrega.

Fábio Melo

Mensagem por Fábio Melo » Seg 10 Out 2005, 14:44

Fiquei satisfeito em conhecer mais desde compositor, que é um dos meus preferidos. Obrigado pessoal pela oportunidade!

Joel Elias
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Tarrega

Mensagem por Joel Elias » Qua 12 Out 2005, 17:17

:guitare: Sem dúvida Tarrega foi um dos maiores violonistas da sua época. Até hoje ainda se fala na famosa "Escola Tarrega". Quem puder estudar um pouco do grande acervo deixado por ele, aproveite, pois só tem a ganhar.

ipgvmusica
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Mensagem por ipgvmusica » Qua 19 Out 2005, 14:18

tenho urgencia em adquirir a partitura de capricho arabe de f. tarrega agradeço quem tiver me responda obrigado

josihell

Mensagem por josihell » Qua 19 Out 2005, 14:54

No "Obras Primas do Repertório Para Guitarra" existe as Obras de Tarrega. Lá você encontrará o Capricho Àrabe. Entretanto necessita que você entre no grupo de 40 mensagens postadas.

ipgvmusica
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Mensagem por ipgvmusica » Qua 19 Out 2005, 15:04

ok. josimar obrigado um abraço

Ariadna

Oi

Mensagem por Ariadna » Sex 21 Out 2005, 04:20

Só pra agradecer pela biografia.
Cumprimentos