Música Modal

PedroGervason

Música Modal

Mensagem por PedroGervason » Dom 29 Out 2006, 15:03

:?

alguém que conheça sobre o assunto poderia dar alguns toques fundamentais sobre o que é(ou o que foi) a música modal??? quais os principais compositores desse periodo?

grato

Gustavo

Mensagem por Gustavo » Seg 30 Out 2006, 19:55

Oi amigo, a música modal pelo q tenho conhecimento, foi usada principalmente no período medieval... se baseava nos modos: Jônio, Dorio, Frígio, Lídio, Mixolídio, Eólio, Lócrio - segundo os povos bárbaros se não me engano.
Os modos vc conhece né?! C D E F G A B C - os intervalos q compõe esse sistema formam o modo Jônio; D E F G A B C D - modo Dório; E F G A B C D E - modo Frígio...e assim seguindo a sequencia dos modos q eu coloquei acima. Dá uma pesquisada em cantos gregorianos - e vc vai achar muita coisa de modos e suas aplicações!!!
Flw!

Jesus te ama!

cardosore
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Mensagem por cardosore » Ter 21 Nov 2006, 21:50

olha, musica modal vem de origem popular desde sempre. Na musica erudita ela toma corpo como movimento no romantismo tardio, por causa da busca nacionalista dos compositores.

os que usam mussica modal dessa epoca: Debussy, Ravel, Manuel de Falla, Brahms, Liszt, Isaac Albeniz, etc..

FernandoSor
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Mensagem por FernandoSor » Qua 22 Nov 2006, 00:10

Muita gente diz que nossos os modos que usamos atualmente sao gregos, o que é totalmente errado.

Musica modal se inicia na Grecia antiga. Procure discos de música grega antiga para ouvir o início de tudo...
Porém os modos atuais nao sao os mesmos que os modos gregos. Pra começo de conversa, a escala dos modos da Grecia antiga iam do agudo ao grave e eram montados a partir de tetracordes. E estes tetracordes tinham analogia com os povos gregos sim, porém nao correspondem aos atuais. O modo Dórico grego, por exemplo, em termos de escala, começava em mi era equivalente ao modo Frigio moderno.

Os modos que usamos atualmente sao os modos Gregorianos, classificados pelo Papa Gregorio I. Inclusive inicialmente eles nem tinham os nomes atuais, que vieram mais tarde.
Ouça cantos gregorianos antigos que ouvirá música modal. Na música liturgica os modos eram:
- Dórico, iniciando do ré;
- Frígio, iniciando do mi;
- Lidio, iniciando do fá;
- Mixolídio, iniciando do sol;
- Hipodórico, iniciando do lá;
- Hipofrigio, iniciando do si;
- Hipolídio, iniciando do dó;
- Hipomixolídio, iniciando do ré (embora inicie no ré, é diferente do Dórico porque no Hipomixolídio a nota final é sempre o sol, e a dominante é o dó).

Depois o uso foi dos modos foi se alterando. Os modos dórico ao Mixolídio permaneceram com os mesmos nomes. O Hipodórico virou Eólio, o Hipofrígio virou Lócrio, o Hipolício virou Jônio e o Hipomixolídio nao se usa mais.

Acho interessante notar que os músicos clássicos e até alguns modernos, como o Schoenberg por exemplo, ainda chamam o modo Lócrio de Hipofrígio. Nao sei quando apareceu o nome Lócrio nem quem inventou, só sei que nao era um povo grego...

Isso é apenas um início. Há muito o que aprender sobre os modos. Só sei que quando pego um livro de harmonia que começa dizendo que os modos atuais sao gregos (muitos livros de harmonia popular o fazem), já vou deixando o livro de lado e nem continuo a ler o resto...

sds

Diogo Benvenutti

Mensagem por Diogo Benvenutti » Sex 24 Nov 2006, 10:25

Eu acho interessante começar pensando da seguinte maneira:

1. Música Modal não tem tom, tem um modo.
2. Música Tonal não tem modo, tem tom.

Isso é uma visão bem redutiva da coisa toda... mas é um ponto de partida.

A música modal é uma maneira de organizar as diferentes alturas de uma música de maneira que representem estruturas pré-concebidas. Logo, a música é feita com notas que representem certa concepção de seqüência de notas. Tais seqüências são os famosos modos. A música deve então demonstrar a característica do modo o qual foi composto. O estilo modal é fortemente representando pela música medieval, gótica e a música do início da Renascença. É uma música baseada em melodia e não acordes! Logo, é uma concepção mais horizontal de música: notas após notas.

Entre a Renascença e o Barroco, existe uma passagem do sistema modal para o sistema tonal. A trama do dialogo musical agora estava não só na melodia, mas também nos acordes que acompanham essa melodia. É então uma concepção vertical de musical, porque você esta olhando os blocos de notas que se impilham um sobre o outro. Por fim, o que caracteriza o tom é que há uma hierarquia de notas, na qual delas uma é a nota principal, o tom. A música então deve mostrar esse tom e causar movimentos de afastamento (subdominante) e de tensão (dominante), para literalmente movimentar seu discurso.

Caramba, fico grande... espero que te ajude :wink:

Diogo Benvenutti

Mensagem por Diogo Benvenutti » Sex 24 Nov 2006, 10:29

Ah, esqueci de falar...

tem um livro que conversa sobre esse assunto de maneira super tranquila e interessante... e que também abordo o atonal, em especial o serialismo... é um titulo famoso entre os estudantes: "O Som e o Sentido" de José Miguel Wisnik

NÃO é um livro especial de violão!!! É um livro "apenas", mas muito bom para qualquer instrumentista

t+

Papin
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Mensagem por Papin » Sáb 25 Nov 2006, 00:17

Só complementando: A música modal ganha força principalmente na Idade Média com a assunção da Igreja católica e é cantada principalmente pelos monges.
Obs: No início, não se usavam instrumentos no canto gregoriano pois somente a voz humana era tida como divina (os instrumentos eram feitos pelos homens).

Renato
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Mensagem por Renato » Sáb 25 Nov 2006, 06:12

Sinceramente, (desculpe se vai soar um pouco ofensivo) eu acho uma grande besteira o que os centros de música, conservatórios e livros da história da música (ocidental) fazem conosco alunos.

Os modos não caracterizam um tipo de música antiga somente.

Música modal existe e existiu em todos os períodos da música. Na verdade, ele veio antes do tonalismo (como explicitaram), e se considerarmos, de uma certa forma, antes do atonalismo.

A música modal 'deixou' de existir (em grande escala) somente na Europa Central e Leste, e Reino Unido, resumindo, entre o início do período barroco e o final do romantismo. Estava conversando isso de tarde com amigo meu, vamos lá... a música árabe pode ser considerada modal (na verdade, ela é a origem da música religiosa do periodo medieval), a música indiana talvez possa também, mas definitivamente: as músicas chinesa, japonesa, norte-americana, caribenha, flamenca, nordestina e muitas outras sempre tiveram suas sonoridades definidas pq se rendem/rendiam a modos.

Somente na música erudita ocidental (leia-se Européia) se fala que música modal morreu. Mesmo assim, pq eu coloquei ali em cima até final do romantismo? Pq mestres como Debussy e Villa-Lobos se gastaram em musica modal! Escreveram MUITA musica modal mesmo (talvez até mais do que tonal). na virada do século retrasado ao passado, a música modal já era novamente realidade na música erudita ocidental.

À exceção de música oriental, vocês podem afirmar que os outros exemplos que dei são ligados a musica popular (caribenha, flamenca, nordestina, norte-americana (aqui englobo por exemplo Jazz e Blues)). Verdade! Mas por que consideramos esse tipo de música como popular e consideramos Weiss, Dowland como música erudita!? Dowland compunha danças para alaúde, para de fato serem dançadas, música popular totalmente! Hoje, você vê bandas de rock, de todos os níveis, de Blitz a Led Zeppelin, usando música modal o tempo todo... cade aquele V dominante?

Então o que eu falo brincando, mas que no fundo é verdade, é que a música clássica mesmo (música pela música) veio [re]descobrir o modalismo muito tarde! Abstraiu a música popular e foi se levando numa direção extremada do tonalismo e depois, se rende, indo ao modalismo (mais tarde ao atonalismo e ainda mais tarde a coisas bizarrissimas haha).

Sei que ficou grande, mas acho importante saber isso :P

E parabéns ao Sor. Sinceramente não aguento mais ler sobre 'modos gregos' na internet. Fecho logo a pagina também (estudo guitarra elétrica também, então o tema é recorrente).

Diogo Benvenutti

Mensagem por Diogo Benvenutti » Sáb 25 Nov 2006, 22:59

Papin escreveu: Obs: No início, não se usavam instrumentos no canto gregoriano pois somente a voz humana era tida como divina (os instrumentos eram feitos pelos homens).
Não se usava instrumentos na música sacra medieval, isso é certo. Agora o motivo na verdade é outro. A voz humana não era considerada divina, nunca! Se é humano, é imperfeito. O cristianismo é bem direto nesse ponto: divino é apenas o divino, homens são imperfeitos.

A razão de não se usar instrumentos na música sacra medieval está ligado a sua funcionalidade. A música era ferramenta para a catequização, uma vez assim, como se pode catequizar com instrumentos? É necessário palavras para catequizar. Instrumentos poderiam também "desvirtuar" os pensamentos do cantores, que deveriam estar em total afinidade com as palavras que cantam.

Renato
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Mensagem por Renato » Seg 27 Nov 2006, 00:47

Ah, acabei esquecendo de falar no tópico.

Uma rápida conferida à WikiPedia mostrou que os Lócrios eram um povo grego mesmo... (também não tinha certeza sobre isso)

Marcelo Cavalcanti
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Mensagem por Marcelo Cavalcanti » Qui 30 Nov 2006, 18:59

Só para complementar o que os nobres colegas relataram, vamos complementar a informação sobre a origem do povo lócrio.

A Lócrida era uma região da antiga Grécia, formada por dois distritos, o ocidental (ou Opuntiano) e o oriental (ou Ozoliano). O primeiro rodeava a região do golfo de Mália e das Termópilas, onde se travou a conhecida batalha do mesmo nome, em 480 a.C., e o segundo bordejava o golfo de Corinto. A capital dos Lócrios Opuntianos era a cidade de Opus (nome bastante musical, não é mesmo?), donde lhes veio o nome, enquanto que a dos Lócrios Ozolianos era a cidade de Naupacto, um importante porto.

A região estava dividida nestas duas metades pela Dórida e pela Fócida, talvez devido a uma antiga invasão que teria divido a região em duas. Esse fato, aliado à infertilidade do seu solo, levou a que os Lócrios tivessem sido frequentemente dominados pelos seus vizinhos mais poderosos, praticamente não tendo desempenhado qualquer papel significativo na história grega.

Foram os Lócrios que, por volta do século VII a.C., fundaram a cidade de Locri, na Calábria, ao Sul da Itália, tendo-lhe dado o nome da sua terra natal; não se sabe, porém, se foi fundada por Opuntianos ou Ozolianos.

Segundo a Ilíada, obra de Homero que narra a história da lendária Guerra de Tróia (em grego Ílion), os lócrios fizeram parte da esquadra grega e foram liderados pelo valoroso Ájax, um dos grandes heróis gregos dessa mitológica epopéia.

E só para complementar, a célebre cidade de Tróia ou Ílion, como queiram, fazia parte da Frígia, na Ásia Menor, onde hoje se localiza a Turquia. E o nome Frígia lembra algo familiar para vocês? rs.

Isso é que é o fantástico na historiografia helênica, mito e realidade andam de mãos dadas!

Um abraço a todos.

André LM
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Mensagem por André LM » Seg 02 Abr 2007, 01:39

Dae pessoal... resolvi ressucitar esse tópico por achá-lo importante, e achar q tem algumas coisas q estão um pouco fora da realidade, ou pelo menos fora do q eu já li. Acho que esse assunto tem gás p mais algum debate ^^. E claro, por te entrado nesse fórum (maravilhoso por sinal) há pouco tempo.

Vamos lá...

A característica principal da música modal é a presença constante da "nota centro",a qual , de certa forma, nunca é realmente abandonada: a música modal gira em torno desse centro.Assim , a música modal pura não tem "harmonia", no sentido de tríades e de funções harmônicas.

São 'totalmente' modais modais, no Ocidente a música da Antiguidade (Grécia e Roma), a música da Idade Média e a música do Renascimento; além, é claro em toda música profana medieval e renascentista.

Podemos chamar de "modais" - por ANALOGIA - as músicas orientais, africanas e americanas tradicionais; entretanto eles não utilizam os modos diatônicos q nós ocidentais utilizamos.

Quando falamos de utilização de modos na música popular ou erudita no séc. XX, não estamos falando de um modalismo total, mas de uma fusão entre modalismo e tonalismo. É o chamado "neomodalismo", ou seja, um modalismo dentro de um sistema tonal.

Segundo, também, Sidney Molina...a música erudita não é "européia" (embora tenha se desenvolvido plenamente e durante muito tempo na Europa).

Sobre as classificações entre "erudito" e "popular" - apesar de algumas vezes impreciso, pois um sempre bebeu do outro na história da música - isso é um fato. Não podemos simplesmente começar a dizer q Beethoven é popular e Pat Metheny é erudito sem base nenhuma.


O q define a música erudita, segundo Molina, (a partir de características técnicas de sua construção) seria o seguinte:

Já há muitos séculos, a música erudita constituiu um artesanato baseado na escrita. A escrita musical é, de fato, uma característica marcante da música erudita ( chupei isso de um texto do Molina).

Ah...eu não acho nada bizarro as correntes musicais a partir do século XX, temos q parar de xingar o q não conhecemos, isso é preconceito estético...não gosto então não presta?


VLW...espero ter ajudado!

FernandoSor
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Mensagem por FernandoSor » Ter 10 Abr 2007, 23:03

André LM escreveu:Assim , a música modal pura não tem "harmonia", no sentido de tríades e de funções harmônicas.
Li vc citando a harmonia funcional em outros casos. Pelo conteúdo das mensagens que vc posta, creio que sabe um pouco mais do que isso, mas gostaria de deixar uma opinião a respeito para os demais que lêem o fórum.

A harmonia funcional faz uma síntese interessante e bastante útil ao analisar algumas obras e até para a composição. É muito usada no jazz e música popular. Porém não é a única visão e não funciona tão bem em muitos casos. A harmonia funcional foi inventada no início do sec. XX. Bach, Mozart, Beethoven, Haydn etc. não pensavam assim. Por isso creio que um músico erudito não deve nem pode se reduzir a ela. Para mim, analisar uma peça serve para tentar descobrir o que o autor estava pensando de modo a buscar uma interpretação mais consciente. Por isso acho que harmonia funcional perde bastante detalhe ao usar para analisar Sor, Giuliani, Bach, Mozart etc.

Além disso, no plano composicional, dizer que música antiga não possui harmonia é um grande erro. Harmonia é interação entre notas. Há forças de atração e repulsão até mesmo numa linha melódica de uma única voz, portanto tem harmonia a ser analisada aí. Pensar na música como conjunto de acordes é uma visão limitada. Regras de contraponto e de condução de vozes não deixam de ser regras harmônicas. Regras essas que o Chediak não ensina. Alilás, já comentei e repito, o livro do Chediak tem muito erro e não recomendo sem o auxílio de um professor. O Koelreuter tem um livro de Contraponto Modal, que serve como base para entender como se via a harmonia na música antiga.

André LM
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Mensagem por André LM » Qua 11 Abr 2007, 01:09

Sor...blz?

Não devemos tratar, ou pelo menos evitar, de forma preconceituosa assuntos musicais. Tanto por parte dos "eruditos" para com os "populares" qto dos populares aos eruditos. Principalmente pq a linha q divide os dois é muuuito tênue, um sempre bebeu do outro. Nós como estudantes de música diferente dos outros devemos nos preocupar em não ser tão preconceituosos. Eu já fui bastante!

Antes de eu ater acesso á harmonia funcional, eu já tinha 'dissecado' dois livros q foram muito importante na minha vida: "Tratado de Armonía" de Arnold Schoenberg e 'Contraponto-uma arte de compor' de Lívio Tragtenberg, que são os melhores que eu pude ter acesso na universidade de música (UDESC) na área de harmonia e contraponto tradicional.

Qdo tive acesso á harmonia funcional descobri que nada mais é do que um resumo bem simples do que foi dito no tratado de Shoenberg, tudo estava lá de forma abreviada e prática. A diferença é q na harmonia tradicional existe a preocupação das conduções de vozes, ou seja, técnicas de encadeamentos dos acordes no que tange aos movimentos melódicos (lineares) que as notas constitutivas desses acordes executam qdo se combinam: posição, disposição, inversão, cruzamento, dobramento, distância entre as vozes, movimentos paralelos, diretos, oblíquos e contrários, preparação e resolução de determinadas notas, nostas auxiliares, dissonâncias quintas e oitavas paralelas, etc...

Já na harmonia funcional acontece a s relações de combinação entre os acordes, são as características transitivas existentes na passagem de um acorde (em bloco) para um outro acorde; a famosa "progressão harmônica".

Mesmo sendo de descoberta recente, a harmonia funcional sempre esteve lá (NAS MUSICAS TONAIS), mesmo q Mozart não soubesse o q era harmonia funcional ela está lá ( já analisei algumas músicas dele e de outros, e sei disso).

Ou seja, podemos analisar uma composição TONAL de duas formas: tradicionalmente ou funcionalmente. A função é parte fundamental do tonalismo desde o início.

Na questão MODAL do meu post anterior perceba que eu coloquei harmonia entre parenteses, não foi por acaso...mas logo depois coloquei : "...no sentido de tríades e de funções harmônicas." ou seja, como nós vemos HOJE. Não existia função como entendemos hoje e coloquei acima. Existia ACORDES, mas sem a preocupação de formação de tríades como conhecemos. A música modal antiga era excencialmente melódica, mesmo aparecendo acordes não caracterizava harmonia como entendemos hoje. É q nem o inverso q acontece nos dias de hoje,...mesmo num solo melódico existe harmonia nele, apesar de ser estar oculto a harmonia.

O próprio Schoenberg ensina já em 1920 que "...um tratado de harmonia deve falar só de sucessões harmônicas e não de condução de vozes", por isso..por que não analisar uma músia antiga com uma harmonia funcional?

Não confunda harmonia funcional com "Berkley", são duas coisas muuuuuito diferentes.

Abraços!

FernandoSor
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Mensagem por FernandoSor » Qua 11 Abr 2007, 01:58

André LM escreveu: Não confunda harmonia funcional com "Berkley", são duas coisas muuuuuito diferentes.
Certamente. Riemann é muito mais que meros blocos de acordes.

Como já comentei, percebo que seu embasamento é consistente por outros posts que já colocou. Apenas acrescentei meus comentários porque achei que suas observações poderiam dar margens a interpretações equivocadas para quem não entende muito do assunto.

O Schoenberg coloca a questão da harmonia vs condução de vozes sob o ponto de vista didático. Certamente a condução das vozes para ele é importante, ou não escreveria um livro sobre contraponto.

Minha observação foi exatamente no sentido de mostrar que a análise pode, e deve, chegar a um ponto bem mais amplo do que acordes e suas funções. Enxergo a harmonia como algo muito mais integrado e orgânico.
Inclusive acho essencial estudar estrutura na música e, sobretudo, percepção ao mesmo tempo. Tratar cada assunto individualmente, como harmonia funcional, harmonia tradicional, contraponto etc., é apenas uma ferramenta didática e uma tentativa de racionalizar um senso de estética artístico que não pode ser simplesmente fechado a algumas regras e padrões impostos. Por isso, mais uma vez, um professor também é essencial para se estudar harmonia adequadamente.